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HPV: transmissão, sintomas e tratamento

Cuidado! A transmissão acontece por via sexual ou contato direto com a pele.

Existem muitas dúvidas a respeito de quais as doenças são causadas pelo HPV, como é a transmissão, a prevenção e se há cura para este vírus. A médica Patologista, doutora Alessandra Eifler Guerra Godoy, esclarece as principais dúvidas sobre o assunto. Confira no vídeo!

 

 

O que é HPV?

O HPV constitui um grande grupo de vírus. São aproximadamente 200 diferentes e destes, em torno de 40 infectam a região anus - genital de homens e mulheres. É um vírus que na maior parte das vezes é transmitido sexualmente, mas pode também ser transmitido por outros contatos, com qualquer objeto ou parte do corpo que esteja contaminada. O HPV é responsável por vários tipos de cânceres, em várias partes do corpo. Esta é a grande preocupação que existe em relação ao vírus.

Geralmente as infecções são transitórias, a pessoa se livra facilmente, mas uma parcela da população não consegue e ele vai ficar um período maior no organismo, podendo causar câncer de colo de útero, de vagina, vulva, pênis, bolsa escrotal, região anal e também todos os cânceres da região de cabeça e pescoço (garganta, cavidade oral). Estes, ao contrário do que acontece nos genitais (que são mais comuns em mulheres), são mais comuns em homens.  

 

Quais os sintomas?  

Na imensa maioria das vezes, as pessoas vão se contaminar com o vírus ao longo da vida adulta e não saberão disso. Não aparecerão sintomas, nem sinais, nenhum indicativo de que esteja acontecendo alguma coisa. Em uma parcela pequena da população, (acredita-se que 10% das pessoas), esse vírus produzirá lesões. As mais comuns são as verrugas e isso pode acontecer em qualquer parte do corpo. Quando há uma verruga na mão por exemplo, ela também é causada por HPV, de um tipo que gosta de pele. Então, este é um dos outros 160 tipos de HPV que não gostam de região genital. A lesão é um indicativo 100% certo de que existe a presença do vírus.

 

A infecção pelo vírus é autolimitada, ou seja, a pessoa será infectada pelo vírus, ele passará um tempo no organismo, a própria imunidade eliminará o vírus e nada acontecerá, nem lesões, nem doença, a pessoa não saberá nem que foi infectada, por isso que o HPV é tão perigoso.

 

O período que passa entre o momento em que há o contato com o vírus até o aparecimento de alguma lesão é chamado de tempo de latência. Para o HPV, fica em torno de uma semana até seis meses. Algumas pessoas podem ficar até seis anos, mas são exceções. A maior parte das pessoas vai se contaminar e eliminar o vírus sem que aconteça nada.

 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico passa obrigatoriamente por uma atividade preventiva. É preciso se antecipar ao aparecimento das lesões. O indicado é que sejam feitos exames preventivos, o mais conhecido é o citológico (Papanicolau). O aconselhado é que todas as mulheres depois de iniciarem a vida sexual façam pelo menos uma vez por ano este exame.

 

Quem se relaciona com alguém que tem HPV também precisa se cuidar?

Sempre que entrar em contato com uma superfície contaminada, o vírus será adquirido. Se for um casal, por exemplo, os dois serão contaminados. A partir daí, a imunidade de cada um vai trabalhar para expulsar o vírus. Na maior parte das vezes, o sistema imunológico é suficiente para eliminar este vírus. O sistema imunológico dos homens é muito mais eficaz do que das mulheres em condições normais de saúde. Outra coisa que influencia a eliminação do vírus são outras doenças que a pessoa tenha (tireóide, diabetes, cânceres), qualquer outra doença que a pessoa já tenha, em qualquer órgão do corpo, vai dificultar a eliminação do vírus e aumentar o tempo que ficará no corpo da pessoa.

 

Existe cura?

O HPV é curado, a questão principal é que demora. Em geral, uma infecção em uma pessoa saudável dura em torno de dois anos a três para ser eliminado do organismo. Depois disso, você terá imunidade para aquele vírus. Se a pessoa se contaminou com HPV 16, é esperado que em um período de dois anos ela vá eliminar o vírus do organismo e nunca mais pegará o 16, mas pode pegar todos os outros. Então, popularmente as pessoas pensam que a infecção volta, mas não, a infecção é por outro HPV. Isto só termina quando a pessoa já tiver imune aos principais vírus da região onde mora. No momento que ela tem imunidade para 10, 12 tipos, não pegará mais, porque aqueles são os mais frequentes. É parecido com a gripe, quando a pessoa está imune, é preciso um vírus novo, por isso que algumas pessoas passam anos sem ter nada. Com o HPV é do mesmo jeito.

 

A gestante pode transmitir HPV para o bebê?

As grávidas irão transmitir o vírus do HPV durante o parto. Ele não invade a bolsa em que o bebê está envolvido, que é a cavidade amniótica, mas na hora do parto a bolsa se abre e o bebê se contamina no canal de parto. A maior parte das vezes esta infecção também é transitória, mas se a mãe tiver lesões muito grandes, os médicos pedem para que a gestante opte por cesárea, para evitar a contaminação do bebê. O vírus HPV em bebês costuma acometer a região oral e as verrugas acontecem dentro da cavidade oral e da garganta. O tratamento dessas lesões é extremamente difícil para os bebês. Se a mãe não tiver verrugas, o parto pode ser normal.

 

A vacina é eficaz?

Na vacina há os quatro mais frequentes na população geral. Portanto, fazendo a vacina, a pessoa ficará imune a este mais comuns. Além disso, qualquer vacina ativa o sistema imunológico das pessoas, então, mesmo que entre em contato com o vírus do HPV que não esteja na vacina, o sistema imunológico dela estará mais fortalecido para defender o organismo.

 

Nos EUA já está disponível a vacina para nove tipos de HPV diferentes, essa vacina chamada nonavalente ainda não chegou ao Brasil. Aqui, temos a quadrivalente, ou seja, quatro vírus diferentes. É importante salientar que existe apenas um tipo de vacina, ou seja, no Sistema Único de Saúde (SUS) ou  nas clínicas privadas é a mesma. A diferença é que para a população entre nove e 14 anos o governo disponibiliza gratuitamente duas doses e a ideia é que elas sejam feitas na escola. Também estão disponíveis gratuitamente, pelo governo, estas doses para pessoas que convivam com o vírus HIV (AIDS) até os 26 anos. As demais pessoas precisam se financiar e a vacina é feita na rede privada.

 

O conselho que se dá no mundo é que sejam feitas três doses, em um período de seis meses, para quem tem entre nove a 45 anos, tanto homem quanto mulher.

 

Sobre a autora:

Alessandra Eifler Guerra Godoy - CRM 22735

Graduada em Medicina pela Universidade de Caxias do Sul (1996), Residência em Patologia pela UFRGS (1999), mestrado em Biotecnologia pela Universidade de Caxias do Sul (2005) e PhD em Biotecnologia pela Universidade de Caxias do Sul (2010). Citopatologista titulada pela AMB atuando no Programa de Qualidade em Citopatologia do Grupo Diagnose. Atua como médica colposcopista desde 2000, atuando também com ênfase em Patologia do Trato Genital Inferior, HPV, biomarcadores e patologia hepática. Possui diversos capítulos de livros e artigos publicados. Diretora do Diagnose Gyn Patologia Intervencionista.

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