A obesidade na infância e na adolescência (olhar psicológico) - Itesc
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A obesidade na infância e na adolescência (olhar psicológico)

Tainara Valim Souza - Psicóloga Clínica e Educacional - Credenciada ITESC

A obesidade na infância e na adolescência é uma realidade presente na vida de muitas famílias. A obesidade é uma doença crônica com origem multifatorial, ou seja, com fatores formados por um conjunto de aspectos genéticos, ambientais e psicológicos. Se não tratada, pode gerar comorbidades que afetam a qualidade de vida das crianças e adolescentes, causando problemas à saúde, como disfunções cardiovasculares, neuroendócrinas e psíquicas.

Estima-se que, no ano de 2025, haverá mais de 300 milhões de pessoas obesas no mundo, estando a população brasileira cada vez mais presente nessas pesquisas. Sabe-se, que existe a etiologia endógena, oriundos de fatores genéticos e neuroendócrinos, porém, verifica-se que a origem está muito relacionada a fatores externos, dentre os quais correspondem: ao desmame precoce, à rotina de atividade física ineficaz ou inexistente, alimentações nutricionais hipercalóricas e dinâmicas familiares disfuncionais, fatores esses, presentes na vida das pessoas por acúmulo de funções, como trabalho, estudo, compromissos diversos etc.  Consequência disso tudo, são os filhos nas escolas em período integral durante a infância com pouca atividade física e comida pouco saudável. Quando, na casa dos avós, não menos comum, os mesmos, fazem todas as vontades dos netos, permitindo alimentação de guloseimas.

 A realidade mostra que as famílias estão tentando substituir a ausência causada pelos trabalhos e compromissos, atendendo os desejos dos filhos, compensando por hábitos de oferecer doces, refrigerantes, fast-food, e compras ao mercado de comidas empacotadas e práticas. As consequências dessa vida moderna têm revelado que, o quadro da obesidade ou sobrepeso na infância e adolescência, indicam que 25% das crianças e 80% dos adolescentes com esta condição se mantêm obesas na fase adulta.

A obesidade infanto-juvenil traz diversas complicações psicossociais comprometendo a saúde psicológica e social do indivíduo, afetando a autoestima, em função da estigmatização, da dificuldade de aceitação da autoimagem corporal, do sentimento de fracasso, de inferioridade e da vivência do bullying, comum de acontecer no ambiente escolar entre as crianças.  O bullying causa dificuldades de aprendizados na escola, alterações emocionais de ansiedade, depressão, autoestima, irritabilidade, imagem negativa corporal e sofrimento psíquico, fazendo com que em período de formação da personalidade e de construção da formalização do pensamento, a criança por exemplo, possa trazer prejuízos sérios em seus relacionamentos interpessoais na face adulta.

Os transtornos psicológicos inerentes à obesidade, tais como ansiedade, depressão e sentimentos de medo, raiva e tristeza, também são relacionados com a qualidade de vida de crianças e adolescentes obesos, sofrendo interferência na qualidade do sono, tornando-lhes vulneráveis ao aumento de peso e perdas cognitivas.

Estudos científicos apontam que o comportamento alimentar e a obesidade na criança e no adolescente, podem estar refletidos por um desarranjo na dinâmica familiar resultante de ausência parental física e afetiva com a criança ou adolescente obeso. É necessário que as famílias percebam, a importância das práticas terapêuticas inerentes ao apoio relacional entre pais e filhos, destacando o manejo familiar com a obesidade infanto-juvenil como um fator de risco à vida de todos. A mudança de hábitos é algo que necessita ser trabalhado entre todos os integrantes do grupo familiar, criando suportes afetivos para alimentar a autoestima e estimular da capacidade de superar e lidar com obstáculos emocionais.

 

Tainara Valim Souza

Ψ Psicóloga Clínica e Educacional

CRP: 12/06889

Credenciada ITESC

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