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O teste de Coronavírus é confiável?

Cíntia Rocha Raupp - Farmacêutica Bioquímica - Laboratório São Pedro - Credenciado ITESC

Vamos falar de exames do Coronavírus e o papel do laboratório na pandemia?

Então, muitos pacientes chegam ao nosso laboratório, com dúvidas sobre os exames que devem realizar para detectar a infecção por Coronavírus, e a pergunta que mais recebemos é: O TESTE É CONFIÁVEL?

Vamos tentar explicar de uma maneira fácil, como tornar os testes confiáveis (além de todo controle de qualidade e validação, já realizados).

É nosso papel, orientar os pacientes quanto ao tempo correto de realizar cada exame, pois feito no tempo ideal temos uma maior sensibilidade e especificidade dos testes, aumentando seu valor preditivo negativo (quando o negativo realmente é negativo) e valor preditivo positivo (quando realmente o resultado positivo, é positivo) ou seja, diminuição de falsos negativos e falsos positivos, dessa forma podemos concluir que cada teste tem sua importância e seu momento.

A orientação é, assim que sentir algum sintoma mesmo que leve, deve procurar um médico, profissional da saúde, ou um Centro de Triagem de Covid-19 para começar a investigação, e realizar o exame no melhor momento e assim, ter resultados confiáveis.

Para os primeiros dias de sintomas, entre o 3º e 5º dia, é recomendado a coleta de RT-PCR, ou pesquisa de Antígeno, coletas realizadas na nasofaringe e orofaringe, por meio de swab, conhecido também por cotonete. Nesse momento o vírus está nesta região do nariz e garganta, e por isso deve ser realizado um desses dois exames, PCR irá pesquisar RNA viral, e Antígeno irá pesquisar proteínas virais.

Na prática os dois testes estão tendo ótima correlação, principalmente para valor preditivo positivo. Ainda podem aparecer discrepância com valor preditivo negativo devido a carga viral baixa do paciente, onde o teste do antígeno é menos sensível.  Ainda se têm PCR como padrão ouro.

Passando 6 dias de sintomas, o vírus já está em fase celular, e já se tem ativação do sistema imunológico, chamada resposta imunológica rápida, diminuindo carga viral da nasofaringe e orofaringe, dessa forma os exames de RT-PRC e ANTÍGENO não são mais recomendados, podendo dar resultado falsos negativos.

A partir do 6º dia, já pode ter produção de anticorpos, assim, o melhor exame a ser realizado é para pesquisa de anticorpos. Porém, no 6º dia esta produção pode ainda estar baixa, então deve-se esperar, preferencialmente 8 a 12 dias, para realizar o exame de anticorpos, onde irá ser analisado se já está produzindo anticorpos IGM, resposta imunológica rápida. Esta produção de anticorpos irá depender de alguns fatores, sendo fortemente influenciada por carga viral, quanto maior a carga viral, maior a resposta imunológica. Outro fator é a capacidade imunológica do paciente, pacientes com deficiência imunológicas podem produzir anticorpos, em quantidade insuficiente para detecção do teste. Assim como pacientes que podem ter resposta imunológica de células T, onde não é necessário a formação de anticorpos específicos, (aqui temos assunto para um outro texto).  O que não quer dizer que o paciente não teve a doença, ainda não existe grandes estudos, mas na literatura e na prática se vê que muitos pacientes RT-PCR positivos não apresentam anticorpos.  

Desta forma, a pesquisa de anticorpos seja por teste rápido ou teste quantitativo, devem esperar pelo menos de 8 a 12 dias a partir do primeiro sintoma para serem realizados. Para a pesquisa de IGG é recomendado pelo menos 20 dias a partir do primeiro sintoma, pois este anticorpo é o anticorpo da imunização, sendo o último a ser produzido, é ele que irá ficar com a memória do vírus caso tenha que entrar em ação novamente.

Além de todos os testes específicos para detecção de Covid-19, ainda temos exames que podem ajudar o médico no acompanhamento da doença em casos graves, que são marcadores de inflamação como o exame de Ferritina, PCR (Proteína C Reativa Ultrassensível) e Interleucinas, marcadores de coagulação como, Tempo de Protrombina, Plaquetas e D-Dímero, para acompanhamento de formação de trombos, e alterações específicas no hemograma.

Em resumo, temos exames para identificação etiológica, que irão pesquisar RNA e PROTEÍNAS VIRAIS específicas do Coronavírus na nasofaringe e orofaringe, podendo ou não o paciente ter a soroconversão, ou seja, produção de anticorpos. E os exames de acompanhamento, que são a pesquisa de anticorpos para ver a evolução da doença. E ainda, exames de acompanhamento clínico para acompanhar a gravidade da doença, normalmente em pacientes hospitalizados.

Ainda se faz pesquisa de anticorpos em massa para identificação de pacientes assintomáticos. 

Esperamos ter ajudado você com algumas dúvidas, se surgiu mais alguma, pode nos perguntar, será um prazer respondê-lo!

 

Cíntia Rocha Raupp

Farmacêutica Bioquímica

CRF: 14310

Responsável técnica Laboratório São Pedro / Passo de Torres SC

Credenciado ITESC

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