A Obesidade na Infância e Adolescência (olhar nutricional) - Itesc
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A Obesidade na Infância e Adolescência (olhar nutricional)

Jessica Menegon Dagostim - Nutricionista - CREDENCIADA ITESC

A obesidade é uma doença crônica não transmissível que se caracteriza pelo excesso de gordura corporal que causa prejuízos a saúde do indivíduo. A forma mais comum de diagnóstico da obesidade é pelo calculo do Índice de Massa Corporal (IMC), que relaciona o peso e altura. Para crianças e adolescentes, é necessário comparar o IMC obtido com as curvas de crescimento padrão da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O consumo excessivo de açúcar, gorduras saturadas, alimentos processados e ultraprocessados (biscoitos recheados, sucos artificiais, refrigerantes, salgadinhos, macarrão instantâneo, guloseimas), bem como a propaganda de alimentos industrializados e a inatividade física, são alguns dos fatores que preocupam atualmente organizações nacionais e internacionais quanto ao aumento da obesidade que vem crescendo mundialmente, sendo caracterizada como uma pandemia. Dados nos mostram que nos últimos 40 anos a obesidade infantojuvenil no mundo aumentou 5% em meninas e 7% em meninos.

Este fato é bastante preocupante, pois existe uma associação entre a obesidade com alterações metabólicas como a intolerância a glicose, a hipertensão arterial e a dislipidemia, que são considerados fatores de risco para o diabetes mellitus tipo 2 e as doenças cardiovasculares, doenças estas que eram mais evidentes em adultos, no entanto, hoje já podem ser observadas freqüentemente na faixa etária mais jovem.

Vários fatores são importantes na gênese da obesidade, como os genéticos, os fisiológicos e os metabólicos, no entanto, os que poderiam explicar este crescente aumento do número de indivíduos obesos parecem estar mais relacionados às mudanças no estilo de vida e nos hábitos alimentares.

Estudos mostram que a obesidade infantojuvenil está relacionada com o sedentarismo, com a presença de televisão, computador e vídeo game, além do baixo consumo de frutas e verduras, o que confirma a influência do meio ambiente sobre o desenvolvimento do excesso de peso. O aumento do consumo de alimentos não saudáveis, a existência de ambientes que favorecem seu consumo (fast food), a falta de tempo da família para o preparo das refeições, a falta de apoio às mulheres trabalhadoras e a suas famílias para o cuidado com as crianças e a perda ou diminuição da tradição de cozinhar, fazem com que os pais e filhos, desembalem mais e descasquem menos os alimentos. Estatísticas mostram que uma a cada três crianças no Brasil estão com excesso de peso, o que leva ao aumento de até 5x mais a probabilidade de obesidade na vida adulta.

Outro aspecto que se tem discutido sobre os fatores relacionados à epidemia da obesidade é a contribuição do aumento das porções dos alimentos servidos em restaurantes. Alguns trabalhos mostram a evolução dos tamanhos das porções de alimentos oferecidos em alguns estabelecimentos nas últimas décadas, como por exemplo, a oferta gratuita de refrigerantes em alguns fast food’s.

A alimentação tem papel fundamental em todas as etapas da vida, especialmente nos primeiros anos, na qual são decisivos para o crescimento e desenvolvimento humano, formando os hábitos para a manutenção da saúde.

O aleitamento materno deve ser exclusivo até os seis meses de idade, mas no Brasil, esta estatística ainda é pequena, duas em cada três crianças menores de seis meses já recebem outro tipo de leite, sobretudo leite de vaca, e frequentemente acrescido de alguma farinha e açúcar, e somente uma em cada três crianças continua recebendo leite materno até os dois anos de idade.

O Ministério da Saúde preconiza que à alimentação saudável deve ser iniciada após os seis meses de idade e deve ser composta por todos os grupos alimentares, contendo o grupo dos cereais ou tubérculos, leguminosas, proteína animal e hortaliças. Recomenda ainda, o consumo de alimentos in natura, evitando os processados e ultraprocessados por conterem muito açúcar, sódio e gordura na composição.

Não é recomendado o consumo de açúcar nos dois primeiros anos de vida e a partir disso, o consumo deve ser limitado. A ingestão de suco de frutas, mesmo que in natura, não é indicado uma vez que uma porção de fruta acaba sendo menos calórica e proporciona mais saciedade que o suco, além de ser fonte de fibra e exigir a mastigação, importante para o desenvolvimento orofacial da criança.

Contudo, a orientação da alimentação correta é importante em qualquer fase da vida, permitindo a prevenção de doenças crônicas, do excesso de peso e conseqüentemente, maior longevidade. 

 

Jessica Menegon Dagostim

Nutricionista CRN10 4537

CREDENCIADA ITESC

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